Avant-garde ou Kitsch?
Cecília Cotrim

Texto das Exposições: Elizabeth Jobim: Pinturas - Galeria Parangolé, Brasília - 1994 / Elizabeth Jobim - Museu da República, Rio de Janeiro - 1993

 

 

As aquarelas e óleos de Elizabeth Jobim interrompem o curso de uma produção artística que já surge destinada ao planeta da estética. Entre cáusticos e líricos, desafiam a saturação contemporânea.

 

Sem recusar toda a magia das vanguardas, esses trabalhos hesitam em corresponder aos decretos modernos. Tampouco reivindicam originalidade. As telas olham o mundo. São registros de vivências múltiplas, traços de uma cultura indiferenciada. Convivem com a grande pintura e com imagens dos jornais.

 

Nada ali parece prometer silêncio. Sugerindo uma atmosfera barroca, de luminosidade quase religiosa, os olhos-paisagens exibem uma dramaticidade irritante, talvez só desfeita por sua ironia pop. Até mesmo as fluidas aquarelas, apresentando imagens tão banais, não deixam, afinal, de evocar a sordidez cotidiana.

 

Comover o espectador é um dos ardis desses trabalhos. Entretanto, o que cada obra demanda acaba por não recuperar para si, e esse movimento é o mais próprio à poética de Elizabeth Jobim.